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domingo, novembro 18, 2012

Lima + Gabi

Há quase cinco lustros, era este o Lima que dava que falar lá para os lados da Luz. Também ele brasileiro, também ele um voraz animal de área. As primeiras impressões não podiam ser melhores. Cromísticamente falando, claro. Uma camisa com um desenho de gosto duvidoso bem abotoadinha até ao topo e um corte de cabelo que pedia meças ao MC Hammer falaram mais alto que o optimismo cândido de Lima. Mas Gabriel, o Mestre Gabriel a viver tempos de hegemonia comentarista, é que foi o verdadeiro mestre de cerimónias neste caso. Incisivo nas perguntas, directo na abordagem, entrou logo a pés juntos no futebol falado cheio de rodriguinhos pueris de Lima. E Lima, perante a tentativa de Gabriel em conter a sua superior risada, lá disse que na pequena-área desenrasca-se como pode, mas que gosta de jogar acompanhado e de usar o pé direito. Gabriel então despachou este Lima. Aguardou pela chegada do próximo convidado, o já então célebre e ancião Pinto de Sousa. Vejam então o que fizeram ao Gabriel Alves, ao supremo Mestre Gabriel dos velhos tempos. Não se faz. 

domingo, abril 01, 2012

Quatro Quartos

“Isto está mau, está…”. Quantas vezes nós já ouvimos este queixume?
Tudo é relativo.
Está mau?
Não, ESTA é que é a ocasião certa para dizer “está mau”:

Estávamos em 10 de Abril de 1983, jornada 25 do campeonato. Dilúvio de proporções bíblicas no quintal de Vidal Pinheiro. A casa do Salgueiros. Sem relva. Sem cobertura. Sem bancadas. Apenas um mar de chapéus-de-chuva em redor dos muros cerceados com arame farpado ferrugento e uns prédios à ilharga. Aqui jogava-se futebol de primeira divisão, com abnegados profissionais meio-futebolistas, meio-comandos. O oponente: o fugaz Alcobaça, o Felgueiras dos anos 80 no que à divisão-mor concerne. Isto era o nosso futebol de primeira, a duas décadas de distância do Euro 2004. Onde mesmo as marcações do campo pareciam imaginárias, havia guarda-redes chamados “Barradas”, contusões e caneladas com fartura e onde discernir um golo ao longe assemelhava-se à árdua tarefa de encontrar um sapo num charco em forma de campo de futebol. 
Agora está mau? Pois sim. Quem lhes dera uns equipamentos tão janotas como os da Olympic em 1996. Era como tirar um saco de serapilheira ensopado de cima para vestir um prêt-à-porter parisiense. Quem lhes dera um Adelino Ribeiro Novo em 1991. Era quase como mudar-se de um T2 na Arrentela para um T3+1 na Lapa. 
Tudo neste filme de terror disfarçado de resumo de jogo de futebol assume proporções cataclísmicas, denota-se um esforço sobre-humano para resistir ao caos daquele jogo tornado batalha. Há um enorme suspense até descobrir quem vai perder uma perna no lamaçal ou quem irá rebolar pelas encostas contíguas ao campo até bater com a cornadura no muro cá em baixo. Até o comentário ao resumo é confuso e dessincronizado, admitindo logo ao início que “as condições eram muito más”.
Era assim em 1983. Parecia tudo tão diferente, mas afinal o FMI também por cá andava, tal como agora.

Podia dizer-se, “ah e tal, mas aposto que os grandes não engoliam esses grupos, mudavam logo um jogo desses para a Maia ou para Torres Novas ou para o Algarve e furtavam-se aos pelados”. Mas nem por isso.
Estávamos em 18 de Janeiro de 1987 e jogava-se os dezasseis-avos de final da Taça de Portugal. O recinto: Campo Engº Carlos Salema, em Marvila, Lisboa, casa do Oriental, o grande rival do Atlético para saber afinal quem é o 4º grande lisboeta. Uma caixa de fósforos na Azinhaga dos Alfinetes toda engalanada neste dia. Alegria e emoção numa tarde solarenga de Inverno, com bancadas, colinas, postes de iluminação, casotas abandonadas e varandas todas repletas, nem o Gabriel Alves resistiu ao encanto da Festa da Taça. O Oriental, embora mais habituado a derbies de grande fervor com o SL Olivais, Olivais e Moscavide e Sacavenense, militava na antiga II Divisão que então fazia cócegas à I Divisão e recebia o venerado Sporting de Peter Houtman, Oceano e Virgílio. Quase que havia tomba-gigantes. E também houve um grande tombo, mesmo em cheio no pó de Marvila. E não foi um artista qualquer. Foi Mozart, o génio da música a estatelar-se ali num espaço não marcado, raspando os joelhos na gravilha em busca da derradeira sinfonia do penalty. O árbitro não tinha bom ouvido nem bom olho. Apontou livre. Quim não se fez rogado e escreveu um pequeno hino ao futebol direito por linhas que não existiam, compondo assim um “minor hit” para a popular agremiação lisboeta. Que saiu de cabeça erguida – mas não muito, que aquelas vedações também não eram muito altas.

Pegando no Sporting e avançando mais um ano, é com prazer que assistimos à apresentação da equipa para a época 1988-89, o Verão de Jorge Gonçalves. Neste trabalho quase familiar de Miguel Prates, que passeia-se quase despercebido por balneários e em redor de vários homens em tronco nu, é feita uma descrição individualizada das famosas “unhas do leão”: o bigode convicto de Carlos Manuel, a timidez de Miguel, a natural surpresa de Rui Maside, o estilo mariachi de Rodolfo Rodriguez, a boa onda de Douglas e a ambição de Silas. Lamentavelmente, Eskilsson, que já tinha sido apresentado há algum tempo, atrasara-se. Mas ainda assim, todo o contexto é muito bom. Há calças às riscas, pólos inenarráveis e um desfilar de meias brancas sem paralelo; um parque automóvel composto por Nissans Datsun, Opéis Kadett e Renaults 5; a figura do “supervisor”; o bigodão sapiente do preparador-físico Roberto Portela; e, last but not least, Jorge Gonçalves himself a exortar o plantel a passar na secretaria para receber os seus contos de réis em atraso e a comunicar publicamente e in promptu a estratégia do clube em termos de gestão de tesouraria, tudo com uma frontalidade desarmante.

Também neste Verão, Aveiro voltava a respirar os ares de primeira. Silva Vieira faz de nosso cicerone na viagem ao mundo encantado do Beira-Mar 1988-89. Alinha os reforços e apresenta-os um-a-um. Vamos poupar-vos a detalhes; vejam vocês mesmos a autêntica passerelle de moda bem típica dos anos 80 em pleno Mário Duarte. Só vos avisamos que tem o Paquito, o Barradas que vimos ali em cima a enlamear-se pelo Alcobaça e um jovem Zé Ribeiro, entre outros exemplos de mau gosto estético francamente embaraçosos nos dias de hoje, dominados que estamos pela cartilha de “gel + tatuagens + mostrar as boxers por trás = muito cool”. Mas não tem o Abdel Ghany, o 1º egípcio a sair de casa, e logo um super-egípcio, segundo o presidente babado; nem o Bira/ Vira, um avançado que promete trocar os olhos aos defesas mais do que Silva Vieira troca as consoantes. Contas feitas, qualquer estilista que veja este vídeo pode ter pesadelos durante vários dias a fio.

sábado, março 17, 2012

Straight Outta Picheleira

"Neno! Como te sentes?
Um bocado atrofiado!
Porquê?
Fui posto de lado!
E agora? Que é que vais fazer?
Talvez...

Talvez...
Yoooooooooooooo!"

Esta é a história de um cantor romântico e suas desventuras na grande área de luva calçada.
Um homem atrofiado, que foi posto de lado...e não estava habituado.

Porém, um líder nunca cai só.

Um líder cultiva seguidores, deixa admiradores para trás. E uma vez no chão, são muitas as mãos que se levantam em seu auxílio.

Com Rei D. Neno caído, cinco valorosos escudeiros oferecem a argúcia de suas lâminas e candura de suas almas:
D. Dimas I, Mohammed Al Faisal, Príncipe Oceano o Magnânime, Infante D. Hélder Cristóvão e Luís Figo, Arquiduque de Pastilhas.

E impecáveis, todos eles.
Unidos, prestam a devida homenagem ao seu mentor da forma mais digna e valorosa possível - através de uma canção.

Quais Boyz II Men da Picheleira, os 5 magníficos vestem a farda sensual do R&B dos anos 90 com a mesma galhardia que lhes era reconhecida no relvado:



Algumas impressões:

0:00 - Ei, olha um plano de uma árvore. Que saudades da TV Rural e do Eng. Sousa Veloso!
0:01 - ui, mas quem é que sai por trás da árvore? É um bosquímano disfarçado de manager-de-boy-band/empresário-de-jogador-de-futebol-de-divisões-secundárias-com-aspecto-ligeiramente-seboso-e-duvidoso-que-pode-ou-não-dar-ordens-a-um-grupo-de-jagunços-para-te-partirem-a-rótula-caso-não-lhe-pagues-o-que-deves?? Ah não, é o Faisal.
0:02 - ... e está cheio de energia.
0:03 - se repararem entre os 0:03 e os 0:06, o Faisal está a checkar os atributos da árvore de forma sensual. Tree Fetish anyone?
0:03 - É o Seal, é o Seal! Afinal esta música tem potencial para tornar-se num caso sério!
0:04 - ...ah não, é o Oceano "Não Sou Cruz Porque Ainda Não Sou Treinador Senão Já Teria Direito a Ser Cruz", exibindo com charme o seu combiné faux-formal directamente do armário do tal Seal, completo com jaqueta cor-de-diarreia. É pena. O Seal é mais fixe (e não vou entrar em comparações Marina Mota/ Heidi Klum).
0:05 - ...e também vem cheio de energia! Mas...ops...fugiu logo numa pirueta à R. Kelly. Woooo!!
0:06 - ah, foi para dar lugar ao Hélder e ao nariz do Dimas. Ao ver este vídeo finalmente percebo porque raio a Geração de Ouro nunca ganhou puto.
0:07 - Olha! Figo! Cá está ele driblando o estilo com seu imaculado ensemble de festa em trânsito para o T-Club, onde irá dançar largas horas ao som de Lisa Stansfield enquanto meneia a anca em movimento pendular e estala os dedos consoante o ritmo. Espectacular.
0:08 - agora tiraram todos os óculos em simultâneo. Isto não faz sentido. Esta cena só acontece em filmes de acção e videoclips foleiros. Ah, esquece....
0:08 - porque será que o Dimas está constantemente a olhar para o lado? Parece-me inseguro.
0:09 - ah! Faisal a assumir a liderança! É de mim ou o Dimas e o Figo parecem deslocados no meio disto tudo? Just sayin', y'all...
0:09 - por falar em "Dimas" e "deslocado", lembram-se do braço dele no SL Benfica 0 - FC Porto 5? Isso sim, foram 30 seg de televisão de qualidade. Ou se fores adepto do FCP, hora e meia.
0:10 - Faisal, não tapes o Hélder! Deixa-o brilhar. Que mania de dar nas vistas.
0:10 - e por falar em brilhar, o cabelo do Figo não fica nada a dever ao do Pedro Proença, ou mesmo ao Sol.
0:11 - Esta é a Boys Band mais descoordenada desde que o Michael J Fox fez um dueto com o Muhammad Ali.
0:12 - Oi? Será que o Dominguez também participou no vídeo? Porque será que está tudo a olhar para o chão?
0:12 - ...menos o Dimas, que agora está a espreitar na direcção da câmara. Pelos vistos não compreende o conceito de televisão, tal como não compreende o de estética, conclusão tirada pelo facto de provavelmente ter vestido um blazer da Fabio Lucci por cima do pijama.
0:13 - E agora o Oceano está a olhar para o Dimas, o Dimas está a olhar para o Figo, o Figo está a olhar para o Hélder, o Hélder está a olhar para o chão, o chão está a olhar para o Faisal e o Faisal está a olhar para o Figo...*suspiro*
0:13 - Este beat no background faz-me lembrar Kussondulola. "Quiribi, quiribi macaco! Macaco que é boá,que é boá! Filho do Homem negativo!"
0:14 - Concentra-te, Dimas! Eu vi esse sorrisinho dengoso para a assistente de realização. Bem boa que deve ser.
0:15 - não consigo deixar de pensar que isto seria mais divertido com o Paulo Madeira de permeio.
0:15 - Group hug!!
0:16 - há algo realmente incomodativo em ver 5 homens abraçados no meio de uma floresta.
0:17 - dispersar!!
0:18 - Dimas, eu disse "dispersar", e não "empurrar".

E o Neno? Continua atrofiado, porque foi posto de lado. E o que é que ele vai fazer?
Talvez ficar com o maxilar preso numa rede.

Yooooooooooooooo.

domingo, março 04, 2012

Predador Sexual à Solta


Há casos e casos nos clássicos do futebol português, mas poucos terão sido tão escandalosos como o verificado no último SLB-FCP.
Referimo-nos, claro, à abordagem mais que explícita de Janko a Maxi Pereira, sob a anuência de Pedro Proença.
Este sim, um caso a sério. É um caso sério de voragem sexual, de apetites caninos por saciar, de voyeurismo puro. E sim, há ordenados em atraso. Mas não haverá também muito fetiche reprimido nos clubes de futebol? E agora, quem protege as vítimas de assédio sexual, se umas quantas cabeçadas não forem suficientes? Onde estás, sindicato?
Deixemos que as imagens vos ilustrem.

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

O Debute


Mais um pedacinho de história sacado sem permissão do You Tube. A data: tarde de 2 de Junho de 1988, 37ª e penúltima jornada da 1ª aventura de 20 clubes na Ia Liga. O local: Estádio Engº Vidal Pinheiro, santuário mítico do futebol europeu infelizmente desaparecido. O árbitro: Ezequiel Feijão, um nome bem “à árbitro”. As equipas: o Sport Comércio e Salgueiros, ainda sem patrocínio Ferbar, nem equipamento Hummel ou Adidas, nem tão pouco um ex-jugoslavo para amostra, alinhou com: El-Rei D. Madureira I; Carlos Brito (sim, esse mesmo), El-Rei D. Madureira II, Álvaro Maciel (histórico), Moreira (depois José Manuel) e Ferreirinha; Oliveira (brasileiro), José Luís (já teve direito a cromo e foi substituído neste jogo por Luís Filipe) e João (passaria tempos felizes em Felgueiras); Sr. Santos Cardoso e Jorginho. O Sporting Clube de Portugal jogou com: Damas; João Luís, Duílio (ainda com bigode), Morato e Mário Jorge; Virgílio (outro bigode; depois Litos), Oceano (talvez tivesse bigode) e Vítor Santos; Silvinho, Paulinho Cascavel (depois rendido por esse pré-Wolfswinkel de nome Peter Houtman) e Mr. Tony Sealy.

O resultado: 2-4. O Salgueiros desceria de divisão para voltar dois anos depois. O Sporting ficaria pelo 4º lugar, ultrapassado pelo Belenenses, naquele que seria o último pódio dos azuis de Belém. E porquê este resumo figurar aqui neste blogue? Pois bem, poderia ser pelo curioso de ver um jogo à tarde, num estádio bem composto, sem cadeiras e com peão; por ver o Salgueiros a disputar futebol de primeira; por ver o povo de Paranhos abespinhado contra a decisão do juiz da partida, sacudindo as precárias vedações de forma intimidatória para sublinhar a sua contestação; por ver um golo de Tony Sealy ou por vislumbrar de relance o estilo europop de Peter Houtman. Mas não foi por isso.

É que foi aqui, em Vidal Pinheiro e neste preciso jogo, que uma lenda do futebol luso do final dos anos 80 se deu a conhecer ao público: saboreiem, caros telespectadores leitores, o tempo que medeia entre 1:00 e 1:09 deste vídeo – são os breves, mas intensos, 10 segundos de HANS VIMMO ESKILSSON a debutar para os aficionados de Portugal! A antecipação foi tal que Eskilsson não pôde esperar pelo final da época e foi mesmo ali, ao intervalo de um jogo em casa alheia, que Eskilsson subiu ao relvado pela primeira vez. Acompanhado por essa grande influência de Vale e Azevedo que foi Jorge Gonçalves (do qual o arisco benfiquista apenas não absorveu a teoria do farto bigode) e de um carismático leão de peluche, Eskilsson escreveu aqui, provavelmente, a página mais dourada de toda a sua permanência em Portugal – sim, porque aqui foram só aplausos e expectativas, entre comentários do género "com aquele tamanho todo, só pode ser bom", "da Suécia só vem material de qualidade", "o glam-metal está para durar, meus caros amigos! Hanoi Rocks!" e "tomara que ele marque tantos golos como o Joey Tempest polvilha maquilhagem cor-de-rosa nas trombas"; depois, com a bola a rolar e a "final countdown" a escorrer rapidamente, nada mais seria igual.

Com este vídeo, sentimo-nos todos um pouco como José Hermano Saraiva: podemos dizer, “foi aqui, precisamente aqui, que nasceu uma estrela da qual 25 anos depois ainda se falava por essas bancadas frias de Portugal de lés-a-lés: seu nome era Hans Vimmo Eskilsson. E o povo, o grande e sábio povo português, sabe reconhecer uma grande estrela quando lhe aparece uma pela frente.”

terça-feira, fevereiro 14, 2012

S. Valentim do Golo

No dia de S. Valentim, que não Loureiro, eis o raminho de flores que todos os namorados da bola esperavam, cortesia do You Tube: um célebre programa da mítica série “Golo, Golo, Golo”.

“Golo, Golo, Golo” assumiu proporções épicas naquela altura, época 1995/96, só comparáveis a outras séries de renome internacional como “Lost”, “House” e “Inspector Max”. Todavia, por uma infeliz e inexplicável casualidade, uma edição em DVD para coleccionadores com um poster da equipa do FC Felgueiras (que nessa época fez a sua única aparição no escalão máximo) ficou adiada sine die. Nem a RTP Memória sabe onde estão as fitas originais nesta altura.

Porém, houve uma alma caridosa que fez questão de disponibilizar esta relíquia no You Tube. Os mais maduros certamente embevecer-se-ão de nostalgia; os mais novos deverão ficar abismados com a interactividade RUDImentar deste talk-show de acção para guarda-redes.

Nesta instância, o guardião que se atreveu a desafiar a máquina, qual Schwarzenegger vs Predador num relvado sintético de primeira geração, foi Ivo, o Pagliuca de Moncarapacho e sombra de Peter Rufai, conforme bem sublinhado pelo apresentador Jorge Correia. A voz off de António Macedo, a energia contagiante dos South Side Boys e o ritmo braçal incessante de Stephanie & As Cheerleaders dos Pompons Coloridos eram ingredientes que conferiam um travo inconfundível a este prato kitsch-gourmet. Perante a frieza teclante de Walter, supostamente de Pinhel, Ivo apenas efectuou uma boa estirada, sem sucesso. Depois foi o vimaranense Zé Nuno que teclou, ou discou, duas vezes com sucesso. Ivo já estava a perder o sorriso, paralisado perante a eficácia assassina da máquina telefónica, pese embora os seus movimentos concentrados. Mas, por fim, lá fez uma defesa para gáudio do público, obtendo como prémio o merecido intervalo.

Na 2ª parte, um Fernando Tordo que foi confundido com Mendes, equipado a rigor com uma camisola da Bélgica – e que teve uma cantiga que se chamava “A Cantiga” –, não foi de modas e desfeiteou Ivo à primeira sem grande balanço. As restantes bolas, porém, não tiveram tanto sucesso e foram ter com os South Side. Depois de uma intervenção de um elemento da claque confuso entre a possibilidade de bater o seu ídolo ou ganhar uns cobres e de mais uma chamada, foi altura de fazer contas. No final, o bem-intencionado Ivo doou a considerável maquia de 99,76 euros a uma instituição de solidariedade.

Não deixem de visionar estes pedaços históricos de entretenimento televisivo. Incluindo a ironia do nome do responsável pela coreografia, revelado nos créditos finais: João Frango. Ou não fosse este um programa de guarda-redes.

sábado, janeiro 17, 2009

Regresso ao Futuro sob o Signo do Karaté

Hoje trazemo-vos um presentinho sob forma de pedacinho de céu embalado num reluzente embrulho youtubiano.

Jogava-se a época de 1993/1994. Mal ou bem, jogava-se a época de 1993/1994.
Eram tempos de fartura, churros e bonomia. As bancadas de terra batida do António Coimbra da Mota causavam expectoração castanha, Petar Mitharski liderava o ataque dos Fama Boys, Mangonga trocava constantemente a primeira letra do nome de Tuck por um "F", o Heitor lesionava três gajos por treino só na marcação de livres directos, e os dentes do Hugo faziam mais furor entre as algarvias do que a Zundapp do Floris Schaap.

Nas Antas, a descontrolada Toni-Mania deixava o luso-guineense sem mãos a medir perante os caçadores de autógrafos, e Alves Nilo Vinha já piscava o olho à Exponor. Porém, quando a brasileiro-soviética União da Madeira chegou à Invicta, ninguém queria saber disso para nada.
O que interessava era a vitória.
(ou no caso da União, um empate a 0-0 com 15 minutos gastos em câimbras, torcicolos, pontapés de baliza, substituições e vendas de cautelas em pleno relvado)

O resultado? Um compêndio de cromicidade extenso, completo e heterogéneo.

Começamos pelo momento Michael J.Fox de Vítor Baía, num verdadeiro Regresso ao Futuro, revisitando aquilo que iria fazer dez anos mais tarde, na resposta a remate de Armando "Le Petit" Teixeira. Só que desta vez a bola entrou mesmo, cortesia do pé-canhão de Hermeluísio Santos.

De seguida, temos o momento Chuck Norris da noite. Em duelo de gigantes, o mítico Chico Nelo leva a melhor sobre o mais carismático dos carregadores de piano, o caxineiro André. Ele, que para além de ser extremamente poupado no uso de pentes, faz gala de um extraordinário bom gosto na hora de dar nomes aos seus rebentos.

Como se já não bastasse o elevadíssimo grau de cromicidade da supracitada agressão, revejam o momento Platoon que a RTP e o próprio filho das Caxinas nos oferecem dos 30 aos 36 segundos do petit-film. Slow motion rocks.

Logo a seguir, o instante mais hilariante do desafio (e provavelmente da jornada, se o Simanic não se tiver equipado).
O sempre calvo José Orlando Semedo - o Zidane de Ovar - entra vagarosamente na grande área, quando é bárbaramente agredido/derrubado pelo finíssimo bigode de Marco Aurélio. O brasileiro, conhecido Atleta de Cristo, bem deve ter rezado uns belos Pai Nossos como penitência pelos impropérios que terá dirigido ao Paulo Batista de serviço após o lance reminiscente do infame vôo de Azar Karadas frente ao Estoril de la Plage.

Como um minutinho apenas pode trazer tanta informação cromíflua às nossas carentes almas...

vídeo fornecido pelo blog basculacao.blogspot.com

sexta-feira, novembro 21, 2008

Questões de pilosidade e donuts

Visualizando este anúncio docinho (que deverá ter grosso modo a idade do João Moutinho), saltam-me à vista várias coisas.

A primeira é uma quantidade apreciável de fernandinhos (vulgo perdigotos) vindos da insuspeita boca do Chumbinho, que não se cala por ter sido convocado para o próximo jogo do líder Leixões.

A segunda é a forma como toda a voz-off do anúncio (até perguntarem ao afável senhor de bigode se quer um donut) faz lembrar aqueles graciosos sorteios do totoloto na RTP2: "UM. SETE QUATRO SEIS DOIS UM. CINCO MIL COOOONTOS."

A terceira é a aparição do sempre providencial Augusto Inácio aos 17 segundos do vídeo. Já desconfiava que o repugnante Foolad porventura pagasse em géneros, mas sempre pensei que fosse em fígado de Maki fatiado, e nunca em donuts. Mas estamos sempre a aprender. Pronto, alguns de nós, pelo menos.

A quarta coisinha simpática que me salta à vista é a evolução pilosa do senhor do bigode. Aquele sedoso e compacto capacete castanho faz pendant com o galante e formoso bigode que afirma com vigor: "Sim, sou jovem, mas banho-me em sabedoria com toda a minha portugalidade em jogo."
Porém, o cenário actual é bem mais peçonhento. Como qualquer indivíduo moderno e desempoeirado, o professor decidiu seguir a dantesca tendência contemporânea e trinchar a carismática pilosidade supra labial. Mas as coisas não ficaram por aí, e o destino traiu-o. O destino e também o realizador do mais recente Brasil-Portugal. É que durante o infame desafio, o referido operário televisivo decidiu focar repetidamente as dificuldades capilares do seleccionador nacional, que exibia um vincadíssimo penteado à FC Oporto early 90's, do qual André, Semedo, Magalhães e Bandeirinha eram os mais dignos portadores.

A quinta situação de relevo é a qualidade quasi-nostradâmica que um simples (mas pungente) anúncio de donuts pode revelar.
Senão vejamos:
"Saem dois com leite."
"Um normal."
"Um cortado."
"Outro normal."
"Um duplo."

E depois, o afável senhor do bigode pede "o do costume".

Se - tal como eu - não tinham nada que fazer e contaram a quantidade de donuts pedidos no reclame, fico feliz em partilhar convosco a informação de que foram oito. Oito, "as in" 6+2.

Será que na realidade, tal como no nostradâmico comercial, Augusto Inácio irá seguir as pisadas do afável senhor do bigode, e pedir um donut fresquinho?

Foolad tem mais encanto, na hora da despedida...

P.S.: Aproveito para endereçar um Filgueira ao leitor simõesonov, por nos ter dado a conhecer mais uma pérola youtubiana. E para vos pedir que votem na actual Pollga, pois iremos fechá-la na noite de 21/11 e há 15 gajos empatados. Bem Hajam.

terça-feira, abril 15, 2008

Genialmente Pequeno

O Pequeno Genial (not related to Pereira, João) dá um nó cego num reguengos de 1992, logo após uma finta de corpo num moscatel bem frutado...excelente a revienga num Rosé!...continua imparável...fura pelo Croft 10 Anos...e...dá nisto que aqui vemos.

segunda-feira, abril 14, 2008

Yannick Djaló dá-lhe com a alma

Depois de ver o futebolista fetiche de Paulo Bento nos Ídolos, a primeira frase que me veio à cabeça foi "don't quit your day job".
Porém, lembrei-me depois que já o tinha visto jogar à bola e que aquele era precisamente o "day job" dele.
E sabem que mais? Não desistas do teu sonho, Yannick.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Cromos da Bola, SAD TV

Inauguramos hoje uma nova rubrica do Cromos da Bola,SAD: O Cromos da Bola, SAD TV

Vamos tentar trazer-lhes os melhores momentos cromáticos da nossa bola, fresquinhos e com almíscarado odor a Zach Thornton, com a inestimável colaboração do nosso colega, amigo e palhaço máimagem.

Desta feita presenteamos o espectador com duas situações sui generis. A primeira é o penalty mais inacreditável de que nunca ninguém ouviu falar. Taça da Liga (palco de outro penalty que ficará para a História), 6 de Janeiro 2008, Estádio Clube Desportivo Trofense. A agremiação local recebe o Portimonense de Douglas Codó, Tarantini, Tchomogo e Maxi Bevacqua. Perspectivava-se uma parada cromática de proporções Zach Thorntescas (eh lá, a 2ª vez no mesmo post?), mas o espectáculo não foi fornecido pelos artistas da redondinha: João Ferreira, o árbitro, cansado de um jogo sensaborão e de ritmo budomirvujaciciano (para quem não se lembra do cepo em questão, fica a tradução: "muito lento"), decidiu animar a tarde.

"Que se lixe, quero ver um golito"
, deverá ter afirmado o hemisfério direito do seu cérebro numa conversa com o rival hemisfério esquerdo.

Aos 86 minutos, num canto inofensivo, a bola é interceptada a soco pelo keeper Mário "not Fátima" Felgueiras fora da pequena área, apesar de assolado por um careca da Trofa. Lance bem resolvido pelo guardião, e o 0-0 persiste. Eis que se ouve um apito. Os jogadores de ambas as equipas olham passivamente para o calabote de amarelo, provavelmente à espera de falta sobre o guarda-redes. Nisto, os trofenses exultam, como quem ganha a lotaria ou recebe um autógrafo do Quinzinho pela Páscoa. Os alvinegros, por outro lado, olham uns para os outros com o típico olhar de "boa, quem é que fez de Stepanov agora?".

A única resposta vem do pé-canhão de Pinheiro, que transforma a penalidade no tento da vitória da equipa de Valdomiro, Mílton do Ó e Reguila. Como é bonito o futebol com golos! As extensões de Fábio Paím não chegam para divertir o pessoal todo.

Quem não se divertiu foi o plantel da terra de Zezé Camarinha, segundo o mais recente candidato ao prestigiado Prémio Luís Campos, o inefável Vítor Pontes: "Os meus jogadores estão a chorar no balneário. Somos profissionais dignos, mas há pessoas que estão a mais no Futebol." Não se estaria a referir a Pontus Farnerud, suponho. Mas podia.

A segunda situação é bastante mais mainstream, com o remate do irmão do gajo do Inter a surpreender o leiriense Fernando Büttenbender Prass. Ainda bem que o jogo foi no Bessa, pois aquele momento de excepção merecia ser presenciado por mais de três pessoas e um cão da polícia a tirar uma soneca.

Espero que esta iniciativa seja do vosso agrado. Salpiquem o vosso gelado de Marcos Alemão com pepitas de Rodrigo Tiuí e sejam felizes.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

SEPSI - The Next Generation



Basta ouvir este grande anúncio e ler ao mesmo tempo a letra, para perceber quem vem aí..

"Ele é o Next phase, next stage, next grade, next wave
Calma aí, sente a Luuuuz
Mostra que és o maior, que sabes quem é o Panduruuuu..
Vens para uma cova, yeah
Não passes a bola..
O Luisao dá-te uma sova.. yeah yeah yeah
És a Generation Left..Leo Leo

Ele é o Next phase, next stage, next grade, next wave
Generation Leo
Generation Left.. Generation!
Generation Leo
Generation Left.. Generation!!



"

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Giovanni, il Vulcone

Chegados ao aniversário de 10 anos da conferência de imprensa mais famosa do planeta bola, decidimos recuperar o momento que transformou Trap numa lenda da cultura pop alemã, num pódio que partilha com Pumuckl e David Hasselhoff. Se perguntam pelo paradeiro de José Dominguez, ficou em 5º lugar da lista, ensanduichado entre a canadiana Céline Dion e a mítica actuação da Charlie's Big Band im Oktoberfest 1986.

Esta conferência de imprensa foi-nos oferecida durante a atribulada estadia de Trap no FC Bayern, logo, as legendas em inglês irão ser muito úteis. Afianço-lhes porém, que os pontapés na gramática alemã são quase tantos como os que Ávalos direcciona aos fémures adversários no espaço de mês e meio. Mas mais hilariantes.

Aproveito também para expressar o meu descontentamento pela estadia sensaborona do mestre italiano no nosso País, visto que estava com grandes expectativas que o dito senhor repetisse algo do género durante a atípica época de 2004-05.

Fica para a próxima, Signore Trap.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Botende, o Anjo Caído




















Antes de mais, cabe-nos realçar que isto é um repost. Sim, acabamos de inventar uma alternativa pomposa para copy-paste. E hélas, aussi em inglês!
E a razão deste re-post é uma generosa oferenda por parte de uma caridosa alma. Calma, ainda não estamos a falar da carinhosa relação Botende/Barroso, mas antes de uns cromos sui generis ofertados pelo nosso compincha villar. Para ele, um De La Sagra fresquinho.

Adicionámos portanto uma nova imagem do mítico keeper insular a este post já antiguinho. Imagem essa que realça a sua propensão para ser um gajo altruísta que cai do céu para salvar pessoas de boa fé em momentos complicados. Ou isso, ou o clube dele não tinha dinheiro para equipamentos, e os jogadores eram obrigados a trazer fantasias de super-heróis para os jogos.

De qualquer forma, seja ele Superhomem, Homem-Aranha ou Zorro, aqui fica o repost:

"90 minutos.

90 minutos mudam vidas. 90 minutos transformam-nos como pessoas.

Em 1996, nas Antas,viveram-se 90 minutos que iriam mudar as vidas de todos os presentes. Um anjo desceu à terra.

Seu nome era Botende, e surgiu de forma tão inesperada como inevitável. A noite estava fria, desconfortável. Os poucos adeptos sentados nas frias bancadas das Antas estavam cinzentos. A sua equipa jogava mal, estava perra. A velocidade velocipédica de Jardel não resovia. A técnica estrondosa de veludo de Paulinho Santos não abria espaços. A segurança de João Manuel Pinto não era a costumeira. A juventude fresca e irreverente de João "Broas" Pinto estava toldada pelo frio.

Eis que um anjo desceu ao relvado. Muitos viraram a cara, não se apercebendo tratar-se de um milagre, um presente dos céus. Barroso não. O motor a diesel do meio campo tripeiro, sempre arguto e sagaz, tomou atenção. Apertou a mão ao destino e agradeceu o Maná dos Céus. Agradeceu Botende.

José Barroso cerrou os dentes, apertou os punhos e chutou. Para as couves. "Não faz mal, carai", pensou ele. Afinal, até é costume. Nova tentativa. "Desta vez vai em jeito, camandro", disse José. José parte para o esférico, qual Platini de azul-e-branco vestido. Penteou suavemente a bola, como uma criança comendo algodão-doce. "Catano", pensaram as bancadas cinzentas.
A bola vai direitinha ao centro da baliza, precisamente em direcção ao anjo Botende. Botende dá um passo atrás, e convida a bola a anichar-se no fundo das redes, como um bom anfitrião. Golo.

José Barroso, um homem de fé, agradece.

Segunda parte. Barroso está longe da baliza. Porém, toma uma decisão. O pé-canhão voltará à acção. Mas José não aponta à gaveta. José aponta ao centro da baliza, em direcção a Botende, que descera dos céus para alegrar a multidão.Golo. A bola passa por baixo das mãos douradas de Botende.

Dois carimbos na Carta Magna da Carreira do Anjo Zairense. Botende já alegrara a malta. Agora queria diverti-la. Sempre um bonacheirão, este Botende. Passa o resto do desafio a defender bolas vindas dos apanha-bolas, porque estes (porque não???) também deveriam ter oportunidade de brilhar.

Botende teve 90 minutos para brilhar na sua carreira em Portugal. Sorveu o suco da vida nesses 90 pedacinhos de céu. Beberricou o néctar dos Anjos. Trouxe alegria e felicidade ao povo que o contemplava atónito. Menos aos que vinham da Madeira, claro.

Mas mesmo esses levaram para casa algo que recordar.

Obrigado, Anjo Caído. A tua memória vive dentro de cada um de nós."


link do 2º golo disponível aqui
(atenção - qualidade tão duvidosa como a de Marcos Alemão)

terça-feira, outubro 09, 2007

Sousa Cintra, o Chefão.

Depois de visionar atentamente esta pérola perdida no youtube, uma questão assalta-me violentamente, qual rombo causado por um livre de Formoso na rede adversária:
-Mas o que é que aqueles charutos têm?...

O Ser Humano não se ri assim. Bicho Homem, revolta-te.

"É penálte!penálte!Limpissimooooooooooo!"

De qualquer forma, ver Sousa Cintra motivar o seu plantel, qual tele-evangelista de trazer por casa, é um pequeno tesouro. Bem como a sua relação de Pai/Filho com o jogador Careca. Será por causa do nome?

Um Bem Haja a todos, e lembrem-se: Usar dois telefones em simultâneo dá saúde e faz crescer(não falamos do cabelo, claro).

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